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domingo, 8 fevereiro , 2009 • Categoria: Editoriais Internos (Boletim)

Ouvi essa “reivindicação” na minha última semana de férias quando estava numa belíssima praia de Búzios. Eram dois amigos que estavam sentados bem perto de mim e conversavam, diga-se de passagem, ambos com um copo de cerveja na mão. Tal cena (Búzios, praia, cerveja, conversa despretensiosa com amigo e tudo isso numa terça-feira), penso eu, retrata muitíssimo bem a figura de duas pessoas em férias, pessoas essas que, pela cerveja, sabemos, não eram crentes. Bem… Independente da religião dos amigos citados gostaria de fazer algumas considerações sobre a “reivindicação” a respeito da qual falavam e que dá titulo a esse editorial, pois certamente, primeiro, esse “Quero Mais…” não diz respeito à cerveja, eles já tinham bebido muitas e, sabemos todos, que quando o assunto é álcool, sempre se dá um jeito (difícil nesse país é remédio) e, segundo, esse “quero mais…” não diz respeito à praia pois, com certeza, ela estaria lá no dia seguinte. Se a reivindicação não diz respeito à bebida e nem à praia, à que ela se refere? Certamente às férias, isto é, mais dias ociosos, mais dias parados, mais dias para a bebida e para a praia, eles queriam mais tempo para “Estar” sem “Fazer”. Daí, minhas considerações:

O Não fazer nada é um bom negócio? Isso dependerá do que fazemos quando não estamos fazendo nada. Sim, porque se o fazer nada não passar de ausência do fazer corriqueiro, tal não fazer fará mal, isto porque esse não fazer já será, em si, um fazer danoso. Pense comigo: pra quem trabalha muito o desejo é o parar de trabalhar um pouco para descansar, pra quem não está trabalhando o desejo é um trabalho pra realizar. Logo, o desejo depende do ponto de vista.

Perceba que o que um faz e quer deixar de fazer é, exatamente, o desejo do outro. Quero dizer com isso que a reivindicação dos amigos da praia, que certamente é a de muitos de nós, só tem sentido se for para viver um não fazer muitíssimo produtivo. Como? (1a) Estando com a família, pois a chama do amor e da intimidade depende, indistintamente, da presença, do toque, da convivência. Parece-me que muitos crentes se esqueceram disso, e por que? Porque acham que uma família saudável o será eternamente só porque Deus está entre eles, ledo engano. Deus estava com Adão no Éden e mesmo assim afirmou que não era bom que o homem estivesse só, declarando assim que nem Deus basta quando o assunto é relacionamento. Para o homem, só um igual. Casamentos, famílias só subsistem se conviverem, se não, o que resta é Conjugalidade profissional (cumprimento de obrigações conjugais). Férias só valem se me possibilitam estar com os meus (I Tim 5:8). (1b) Revendo/estando com os amigos, pois eles são temperos à nossa vida. Se a Bíblia diz que “as más companhias corrompem os bons costumes”, concomitantemente afirma que, ao contrário, as boas companhias restauram os bons costumes. Estar em boas companhias é, hoje, questão de sobrevivência pois estas estão cada vez mais raras. O texto me possibilita afirmar que as boas companhias nos preservam da corrupção, nos capacitam a não deteriorar enquanto ser, contribuem para a manutenção da “bênção da permanência” em nossa vida. O próprio Jesus preferiu amigos a servos, penso que por que …”Há amigos mais chegados que irmão”.(Prov. 18:24b). Férias só valem a pena se nela investirmos em amizade.

Bem… falta-me espaço para dizer o que podemos fazer quando não fazemos nada, se não, diria para investirmos numa viagem interior a fim de revermos valores e posturas, diria para estreitarmos relacionamento com Deus, diria para fazermos uma faxina na mente e na alma, tantas vezes transformados em depósitos de entulhos existenciais e problemas não resolvidos. Como podem ver, há muito a se fazer quando não fazemos nada. Quanto a mim, tudo o que tenho a dizer é que nesse mês de nada fazer, fiz muita coisa boa, inclusive o administrar o não fazer para que este não fazer fosse muito produtivo, e o foi. Em conseqüência disso e só por isso faço minhas as palavras dos amigos que conversavam em Búzios: Quero Maiiiiiiiiiiis…

(Novinho em folha)
Pr. Neil Barreto

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