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840 vizualizaçõesO Segundo Sinal do Ateísmo Religioso

quarta-feira, 16 setembro , 2009 • Categoria: Editoriais Externos

O pragmatismo é o excesso de praticidade! Na acertada decisão de se buscar a praticidade, pode-se cair na armadilha do pragmatismo. A fronteira que divide ambas as realidades é tão fina, que boa parte das vezes não se percebe quando é cruzada.

Pessoas dominadas pelo pragmatismo são, via de regra, autoconfiantes na sua capacidade de realização, uma vez que, através da organização, do planejamento, dos números, da razão, da técnica, crê-se capaz de se chegar a qualquer conquista. Na mentalidade produzida pelo pragmatismo existe pouco ou nenhum espaço para o subjetivo, o humano e mesmo o espiritual. Ressalte-se: a praticidade é a cura para muitos devaneios teóricos e incompetências administrativas; o pragmatismo é a doença advinda de uma lógica puramente focada em resultados.

Pensava-se ser o mundo corporativo o habitat natural do pragmatismo. Também se imaginava ser ele a tendência mestra dos gestores de empresas obcecados pelo lucro. Engano! É também um traço da atual religiosidade. Ultrapassa as paredes da empresa e se instala na igreja, onde tem encontrado cada vez mais espaço. Deixa de ser uma marca somente do empresário e torna-se também uma característica do líder religioso. Entende-se que a igreja é um grupo humano e, como tal, precisa de líderes. Também é uma organização, portanto necessita de gestão prática. Porém o que se verifica em nossos dias é uma extrema preocupação com a estruturação da igreja e a construção de um discurso religioso tão pragmático, tão voltado para resultados visíveis, que Deus se torna Alguém altamente irrelevante. É este ponto no qual o pragmatismo se torna um forte sinal do ateísmo religioso, posto que, Deus não é negado, mas é colocado num lugar de tal irrelevância que desaparece em meio à eficiência geradora de resultados. Deus morre pela via da irrelevância! Ora, qual a necessidade de Deus, se nossa mensagem religiosa cada vez mais está recheada de uma espécie de “Programação Neurolinguística”, na qual se promete resultados através de uma auto-sugestão que dispensa a ajuda do alto? Deus vai ficando a margem de um mundo religioso cada vez menos dependente de oração e viciado em resultados práticos, visíveis, mensuráveis e contábeis.

No âmbito pessoal este pragmatismo se revela quando, embora inconscientemente, muitos de nós, senão a maioria, vivemos uma vida na qual nós controlamos e Deus se torna apenas um mero ajudante. “Eu controlo e tu, Senhor, me ajuda!”, eis a oração do pragmatismo! Como a confiança na capacidade pessoal cresce mais e mais, a ação de Deus é cada vez menos requisitada, até o seu desaparecimento, ficando sepultada sob o túmulo do nosso pragmatismo competente, individualista e cheio de vaidade pessoal.

Mas não era para ser assim! Deus originalmente nos convida a ser seus ajudantes, enquanto o controle é todo Dele. “Eu controlo e você me ajuda”, eis o convite de Deus. Ele nos chama para uma relação que não exclui a inteligência, a praticidade, a técnica. Porém, Ele é centro e a fonte de água viva de onde nasce toda a essência capaz de nos fazer viver mais plenamente. Seu chamado é para uma relação conosco na qual Ele seja o coração de todas as nossas decisões, a recompensa de todo nosso talento, o resultado de todo nosso esforço, a teoria e a prática da nossa existência, o início, o meio, o fim, o centro e não a periferia, o Senhor absoluto e não um patético ajudador do pragmatismo gerador deste sutil ateísmo religioso!

Por Eduardo Rosa Pedreira


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  • Nélio Batista

    Bela percepção do mundo eclesiástico, que Deus continue a manter homens sábios como você para avaliar e direcionar o cristianismo moderno.