1.426 vizualizaçõesSoneto de um hedonista

Como areia na palma da mão, tateei no escuro a razão de viver.
De verdades e mentiras minha casa se encheu,
mas só houve o silêncio dos deuses do poder-
meu amor divino e simples como estrela cadente se perdeu.
A resposta para todo coração sofrido neste mar,
é a própria arte de navegar- viver é a melhor recompensa-,
pois, toda certeza é rotativa e sem o prazer de viajar,
as perguntas é que mudam e o norte é uma insegura crença.
Ao me encontrar só, o desespero de andar me neutralizou:
Li horóscopo à filosofia, refutei políticas,
critiquei religiões e a contra-regra da boemia me guiou.
Desejei não desejar. O medo passou e pude me reencontrar.
E se para este chão jamais serei digno de possuí-lo;
o mar me ama e os seus ventos estranhos me podem melodiar.
Sergio Martins
Escritor

