Estamos reinando em vida, venha conosco!

569 vizualizaçõesMais Sinal do Reino

domingo, 12 fevereiro , 2012 • Categoria: Editoriais Internos (Boletim)

Com o Pai Nosso Jesus, não nos ensina apenas a orar. Também nos ensina a viver. Seguindo a tradição dos mestres espirituais do seu tempo, enquanto ensina a orar, Jesus apresenta sua percepção a respeito de Deus, do mundo e da vida. A oração do Pai Nosso é a oração do Reino de Deus. Quem ora a oração do Pai Nosso se compromete com um tipo de existência, a saber, a vida sob o reinado do Deus que é invocado como Pai que está nos céus.

A súplica pelo reinado de Deus, “venha o teu Reino”, se faz necessária porque “os céus são os céus do Senhor, mas a terra ele a deu aos filhos dos homens” [Sl. 115.16]: no mundo dos homens, Deus escolheu agir por meio das pessoas que se submetem ao seu reinado. Dessa maneira, o nome de Deus é santificado, isto é, reconhecido como singular entre os falsos deuses – ídolos, e adorado como único Deus vivo e verdadeiro [1Ts. 1.9].

As duas realidades estão absolutamente relacionadas: quando Deus é glorificado, a vontade de Deus – que é boa, perfeita e agradável [Rm. 12.2] – se manifesta na terra, assim como toda vez em que a vontade de Deus é realizada na terra, o nome de Deus é glorificado nos céus [Mt. 5.16]. Os pedidos ensinados por Jesus a respeito do pão, do perdão e do livramento do mal explicitam a manifestação da vontade de Deus. A súplica pelo pão equivale à súplica pelo Shalom de Deus, isto é, o estabelecimento do Reino de prosperidade de tudo para todos prometido por Deus aos profetas de Israel. Jesus não quer apenas o pão sobre a mesa. Na verdade, ensina a pedir “dá-nos hoje o pão de amanhã”, numa referência ao maná que Deus derramou enquanto o povo hebreu peregrinava pelo deserto, com Moisés: “Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem lhes dará [...] Não foi Moisés quem lhes deu pão do céu, mas é meu Pai quem lhes dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desceu do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome, aquele que crê em mim nunca terá sede” [Jo. 6:27,32-35]. O pão solicitado em oração é a plena satisfação humana somente possível na submissão a Deus na consumação do seu Reino, quando o mundo dos homens voltará a experimentar, sob o governo do Cristo, a plenitude da harmonia e beleza que se chamou Édem e também se chama céu.

No Reino de Deus consumado sob o governo do seu Cristo, as dívidas de todos estão perdoadas. O Reino de Deus é a plenitude do ano do jubileu, quando todos os escravos recebem libertação: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça [do jubileu] do Senhor” [Lc. 4:18-19, referência a Lv. 25]. A súplica pelo perdão de Deus implica o perdão aos que nos são devedores, pois no Reino de Deus não há espaço para tiranias e escravidões. No Reino de Deus, todos somos irmãos, que invocamos o nome e vivemos sob a benção de um único e mesmo Pai celestial. A consumação do Reino de Deus, portanto, exige o fim da ação do Maligno, a superação de todas as expressões e manifestações da maldade, que por sua vez exigem a erradicação do mal que outrora habitava a interioridade de todos os que viviam em rebelião contra Deus e seu Cristo. A súplica pela vitória sobre a tentação e o livramento do mal é também um ato de rendição, quando aqueles que oram dizem a Deus “não somos mais rebeldes, não estamos mais em aliança com a Serpente, não estamos mais ocupados em fazer prevalecer nossa vontade, mas clamamos que venha sobre nós o teu Reino, teu reinado, pois reconhecemos que ‘teu é o Reino, o poder e a glória para sempre’”.

A oração do Pai Nosso é uma súplica para que no tempo presente e no mundo dos homens se manifeste a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado na eternidade. É verdade que haverá um dia quando “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas enchem o mar” [Habacuque 2:14], o dia quando “então virá o fim, quando ele (o Cristo), depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder, entregará o Reino a Deus, o Pai. Pois é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” [1 Co. 15:24-26]. Enquanto isso, vamos orando para que sejam novos os homens – livres do Maligno e da maldade que habita em seus corações; que seja novo o mundo – livre das opressões e escravidões; que sejam fartas as gentes, não apenas de pão, mas da vida abundante que Jesus oferece a partir de agora até que seja plena na consumação dos tempos. Aguardamos o dia quando o Reino de Deus inaugurado será consumado. Enquanto isso, vamos orando e trabalhando, para que através de nós o Reino de Deus vá manifestando os seus sinais, mais e mais, sempre mais: + Sinal do Reino.

Ed René Kivitz

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...